Microfones: Engenharia, História e Cultura
Todo mundo sabe que a invenção do microfone, revolucionou a
comunicação, a música, as Técnicas Vocais e os métodos de
produção musical e midiática.
Sem os microfones, a comunicação em
longas distâncias, que antes era feita por mensageiros, cartas ou telégrafo,
passou a ser telefônica ou radiofônica.
Hoje, enquanto podcasters e youtubers gostam de ostentar seus microfones grandes ou coloridos em seus vídeos, discretos microfones embutidos em celulares captam os sons do dia-a-dia...
O microfone tornou-se parte de nossas vidas diárias. Um ícone cultural, um símbolo tão embrenhado em nossas mentes, que até quando as pessoas brincam de cantar ou de entrevistar alguém, pegam algum objeto qualquer que lembre um microfone para simboliza-lo em sua brincadeira.
Mas… até que ponto as pessoas em geral, conhecem de fato, os diversos tipos de microfones, como eles funcionam, quais as melhores formas de utiliza-los para extrair o máximo de seu potencial e toda a riqueza histórica por trás deles?
Este é o desafio que resolví explorar aqui neste artigo onde convido os(as) leitores(as) à esta bela viagem sobre o mundo dos microfones.

O espetacular Sennheiser MK4 aqui do meu estúdio... Cara, eu adoro esse microfone!
Os tipos de microfones mais comuns e suas orígens
Cones captadores e
megafones
Bom... nossa jornada começa bem antes que os diversos tipos de microfones fossem inventados.Originalmente, as soluções para
captar ou transmitir o som, consistiam em instrumentos passivos (isso
é, sem alimentação elétrica ou mesmo mecânica, além do próprio
som em si).
Enquanto todos os cantores e cantoras estudavam técnicas clássicas de Canto Lírico/Erudito para conseguirem projetar suas vozes para o fundo do palco, baixos e barítonos, como tinham vozes mais graves, sofriam muito mais para serem ouvidos. Principalmente quando partiam para o canto popular, sendo obrigados a utilizar grandes, desajeitados e humilhantes megafones passivos (também conhecidos como "Bull Horn" (ou Chifre de Boi"), que às vezes até viravam funil para moedas que lhes eram atiradas caso se apresentassem em locais públicos.

Um megaphone passivo tradicional, em latão.
Com os primeiros métodos de gravação então,
músicos e cantores se aglutinavam em frente de um enorme cone com um diafragma na ponta menor que vibrava uma agulha sobre um cilindro de cera.
Esses métodos conseguiam captar apenas uma faixa entre 200Hz e 1500Hz. É por isso que as gravações dessa época soam como se toda a banda tocasse junto exatamente as mesmas notas, apresentando muito mais ritmo do que melodia e praticamente só alto-tenores e sopranos tinham vez nos vocais nessas gravações.
Microfones de carbono ou carvão
Segundo consta, este
é o primeiro tipo de microfone que se popularizou (embora não tenha sido o primeiro tipo de microfone).
Inventado, por volta de 1877, até hoje permanece a polêmica sobre se ele foi inventado por DavidEdward Hughes, na Inglaterra, ou Emile Berliner (EUA) ou mesmo Thomas Edison (também EUA).
Embora a patente de 1877 esteja sob o
nome de Edison, Hughes demonstrou o dispositivo alguns anos antes,
porém tendo publicado seu trabalho sobre efeitos de som sobre o que
ele chamou de “transmissores”, em 1878.
Aliás, Berliner também
chamava seu dispositivo assim, cuja tecnologia ele vendeu para a Bell Telephone Company (hoje, AT&T, uma das empresas das quais já fui funcionário).
Porém, após uma longa
disputa judicial, a United States Court of Appeals declarou a invenção como sendo de
Edison.

Um microfone de carvão clássico.
O funcionamento
deste tipo de microfone consiste em uma cápsula ou recipiente de material
eletricamente isolante, contendo pó ou grânulos de carvão ou
carbono, entre duas superfícies condutivas ligadas ao circuito de
saída.
Uma (ou raramente ambas) dessas placas condutivas faz as
vezes de diafragma, que, se vibrado, faz variar a resistência
elétrica entre as placas condutivas.
Logo, pode-se dizer que trata-se de um microfone do tipo resistivo.
Este tipo de
microfone, apesar de bastante confiável (embora seu ponto fraco seja a intolerância à umidade), tinha uma faixa de resposta
de frequências muito pequena, mas foi bastante conhecido por ter
sido amplamente utilizado em telefones desde seus primórdios até
começo dos anos 80, quando outros tipos de cápsulas de microfones
começaram a ser utilizados para esta finalidade, como as de cristal
e posteriormente, dinâmicas (bobina móvel) ou as mais modernas, de
eletreto. (Falaremos desses tipos de cápsulas mais tarde.)
Microfones de cristal
Os microfones piezoelétricos, ou microfones de
cristal, consistem em um material
piezoelétrico (normalmente, quartzo, sal
de seignette, ou compostos cerâmicos) entre duas placas
condutivas.
A pressão ou impacto em uma dessas placas, gera tensão
elétrica entre elas, que pode ser amplificada por um circuito
amplificador eletrônico acoplado.
Apesar de começarem
a ser populares bem depois dos microfones de carvão, os microfones de
cristal, foram inventados antes, com as primeiras observações do
efeito piezoelétrico por Paul-Jacques Curie, em 1880.
Nos
anos 1930, a Brush Labs (hoje Brush Development Company), patenteou vários modelos
baseados em sal
de seignette, mas foi só em 1933 que a Astatic Corporation começou a vender microfones para uso em rádio e
gravação de audio.
Dois anos depois, a Shure Brothers começou
a comercializar microfones de cristal como os Model 70, Model 71 e
variantes.

Microfone de cristal Shure 730B, anos 1940, apelidado de "Billie Holiday" or “Memphis Minnie".
O desempenho dos microfones de cristal costuma ser significantemente melhor que os microfones de carvão. E como o material piezoelétrico pode ser de diversos tipos (inclusive de material flexível moldável, como o PVDF), esse tipo de microfone permite uma ampla gama de aplicações, especialmente na Indústria aeroespacial. A Sonda Mariner 1, por exemplo, usou um microfone especial de cristal, para medir densidade de poeira cósmica.
Na música, os
microfones de cristal vintages são muito desejados por quem toca
gaita em algumas peças de blues e ainda existem tipos especiais de
microfones de cristal feitos para ficarem em contato direto com o corpo de certos instrumentos de corda ou tambores para captação direta da acústica desses instrumentos.
Microfones de fita (ribbon microphones/velocity microphones)
Inventados nos anos 1920 pelos alemães Walter H. Schottky e Erwin Gerlach, esses microfones caracterizam-se por serem baseados em uma finíssima fita de material condutivo (geralmente alumínio ou duralumínio) ou como diafragma, disposto no meio de um campo magnético gerado por ímãs.
A vibração desta fita dentro do campo magnético, faz com que os elétrons da mesma se movimentem por indução magnética, causando a "perturbação elétrica" que pode ser amplificada por um circuito amplificador eletrônico.
Esse tipo de microfone é famoso por mudar o estilo de cantar dos artistas, dando orígem ao
estilo "crooner". Um estilo tão importante que inspirou uma geração de
desenhos animados, como "Swooner Crooner" (1944).
Os primeiros microfones comerciais deste tipo (Photophone Type PB-31) foram produzidos pela RCA (Radio Corporation of America) à partir de 1931.
A mesma RCA produziu o modelo Type 44 (fabricado até hoje, só que pela AEA Ribbon Mics sob o nome R44 que não sei por quê, os radialistas aqui do Brasil apelidaram esse modelo de microfone de "jacaré") e o Type 77. Ambos verdadeiros ícones lendários até hoje.

Os absolutamente icônicos (da esquerda para a direita) RCA Type 44BX e Type 77BX.
Foram os primeiros microfones populares a cobrirem toda a faixa de frequências audíveis pelo ser humano (20Hz a 20KHz).
Por essa característica, microfones de fita são muito tradicionais em estúdios e muito procurados por Engenheiros de Som e artistas no mundo todo, de modo que os preços dos modelos modernos mais refinados ou mesmo legítimos vintage, costumam ser bastante elevados.
O ponto fraco deste tipo de microfone é que a fita, por ser muito fina, é
muito frágil (especialmente nos modelos mais antigos), de modo que um "soprão" mais forte pode rompe-la e se o
microfone receber tensão elétrica, ela poderá se queimar.
Microfones dinâmicos ou de bobina móvel
Esse tipo de microfone consiste numa bobina de fio condutivo muito fino isolado por verniz, suspensa em um campo magnético, porém, presa à um diafragma flexível.
Uma vez que o diafragma seja excitado pelas ondas sonoras ou deslocamento de ar, faz vibrar a bobina dentro do campo magnético, gerando o sinal elétrico a ser amplificado eletronicamente.
É um tipo de microfone muito resistente, mas que geralmente oferece um campo de sensibilidade acústica muito curto. Características que favorecem seu uso em apresentações de palco, particularmente em ambientes barulhentos, de modo a evitar a realimentação acústica e consequentemente, aqueles "apitos" desagradáveis (microfonia).

Um exemplo de um moderno microfone dinâmico: O Senheiser e840S.
Por ser tão resistente e versátil nos palcos, é de longe, o tipo de microfone mais popular em apresentações ao vivo.
Microfones condensadores
Os microfones condensadores são os "reis" em se tratando de campo de sensibilidade acústica. Eles captam "tudo" de longe, costumam ter um equilíbrio tonal e dinâmico bastante "plano" (especialmente os de diafragma largo) e certamente são os microfones mais populares nos estúdios do mundo todo por sua incrível versatilidade.

Um microfone condensador Marshall MXL-770 que usei muito aqui no meu estudiozinho.
Por serem tão sensíveis, seu uso em apresentações de palco pode NÃO ser uma boa idéia, obviamente por estes seram muito sujeitos a realimentação acústica ("microfonia"), apesar de existirem microfones condensadores projetados para apresentações de palco.
Seu funcionamento é baseado em um diafragma flexível revestido com algum material altamente condutivo (os melhores são revestidos em ouro 24K) montado próximo de uma superfície plana, também condutiva, com furos para que não haja resistência do ar.
Tanto o diafragma quanto a superfície plana, são então energizados de modo que deve haver um dielétrico entre elas para evitar curto-circuito.
A vibração do diafragma faz variar a capacitância entre os dois elementos energizados e um circuito eletrônico converte essas variações de capacitância em sinal elétrico.
Esse tipo de microfone exige alimentação externa. No caso dos microfones profissionais, essa alimentação tem corrente alternada, tem 48 Volts e chama-se Phantom Power.
Mas no caso de microfones condensadores em miniatura, como os de eletreto, usados em telefones celulares e headsets, eles podem ser energizados com tensões bem baixas.
No entanto, os melhores são os de diafragma largo. Esses captam nuances muito melhor com bem menos ressonância em certas frequências.
Desde que o primeiro microfone condensador comercial (o Neumann CMV-3), foi produzido por Georg Neumann em 1928. Desde então, a marca Neumann, é considerada referência praticamente absoluta em microfones de estúdio até hoje.
Captação e Diagramas Polares
Assim como se faz com as câmeras fotográficas profissionais, em que se considera campo focal e bokeh, nos microfones existem o que chamamos de efeito de proximidade e a ambiência.
E se na Fotografia, a abertura do diafragma significa mais entrada de luz, nos microfones, um diafragma maior, corresponde a um sinal sonoro captado com menos distorção.
Ainda fazendo uma analogia com a Fotografia, se você usa uma lente longa, ou curta, você pode fechar ou aumentar o enquadramento em uma dada distância, no mundo dos microfones, no mundo dos microfones, existem os diagramas polares, que são representações do espaço de captação deles em relação ao diafragma (ou aos diafragmas, caso o microfone tenha mais de um diafragma.
Aqui tem um bom vídeo demonstrando os principais diagramas polares dos microfones.
Largura de espectro e dinâmica
A questão da largura de espectro pode ser polêmica ou gerar algumas divergências.
Embora seja desejável que um microfone consiga captar com a mesma intensidade dinâmica e com a mesma amplitude todo o espectro de som audível (de 16Hz a 24kHz, mas que convencionou-se como 20Hz a 20kHz), a realidade é bastante diferente, de modo que existe um microfone certo para cada tipo de som que se deseja captar e cada artista ou Engenheiro de som, pode ter uma opinião diferente sobre como ele deseja captar esta ou aquela fonte sonora.
Por exemplo, para captar voz, não faz sentido um microfone que tenha uma baita ênfase na captação abaixo de 100Hz. Na verdade, muitos microfones destinados a vocal, quando não têm uma chave para filtrar o som acima de 100Hz, costumam apresentar uma certa ênfase à partir de 4kHz até uns 8kHz mais ou menos. E ainda falando de voz, tem microfone indicado para entrevistas, microfone indicado para broadcast de radio, microfone para vocalistas e cantores...
Aí tem microfones indicados para intrumentos musicais específicos como violão, guitarra, ou kits de microfones para bateria.
Tudo baseado no modo como o microfone responde dentro da faixa do espectro de cada instrumento.
Não que um bom microfone de uso genérico como o MXL-770 não resolva. Muito se resolve na produção através de equalizador, reverb ou compressor. Mas o ideal seria captar o som já o mais próximo possível do que se deseja.
Efeito de proximidade e ângulo de captação
A qualidade da captação do som também depende muito da distância entre a fonte sonora e o microfone.
Muito perto, pode causar muita distorção. E dependendo do tipo de microfone usado, pode-se ainda experimentar cancelamentos (no caso dos condensadores) ou mesmo danos irreversíveis (no caso dos microfones de fita).
Por outro lado, muito longe, pode-se experimentar uma captação "pobre", ou com muito ruído (relação sinal/ruído ruim) ou ainda com efeito de ambiência exagerado.
O ideal é quando a captação é nítida, sem distorções e se fôr desejável alguma ambiência, que seja mínima. (Não estamos falando de reverb nem de eco aqui ainda, OK?)
O ângulo da captação também influencia. Muito de frente com o diafragma, pode-se obter uma dinâmica muito grande, que em alguns casos, pode resultar em picos de pouca naturalidade. Nesses casos, captar com o diafragma inclinado em relação à fonte sonora, pode suavizar esse efeito e o artista, se fôr habilidoso, pode ainda se aproveitar das características do diagrama polar do microfone para "dosar" a expressão captada.
Alguns microfones de fita, podem ser influenciados pela força da gravidade.
De acordo com o Engenheiro de Som Bruce Swedien, um RCA Type 44, se inclinado 45 graus para baixo, pode captar mais agudos do que na vertical, tornando-o ideal para captar por exemplo, som de carrilhão.
Tipos de conectores, cabos e impedância
Conectores "jack" P10 (mais comuns) ou P2 (a versão menor), podem ser aceitáveis pela praticidade e são bastante comuns para apresentações profissionais de palco e uso amador leve, respectivamente.
Mas para estúdio, especialmente se você fôr usar microfone condensador, o conector padrão para microfones é o Cannon XLR. Ponto.
Curiosidade O conector Cannon XLR original, registrado no catálogo RJC-8-1955, sob os códigos XLR-11C (fêmea) e XLR-12C (macho), foi inventado por James H. Cannon, o próprio fundador da Cannon Electric company, Los Angeles, California.
Os cabos XLR-XLR, foram projetados para transportar 2 vias de corrente alternada de 48V pelos pinos 2 e 3 (de modo que a diferença de potencial elétrico entre essas duas vias corresponde ao sinal) e 1 via de "terra" (GND, "ground") pelo pino 1. Essa solução é conhecida como "cabo balanceado" e ajuda a transportar o sinal com menos ruído por uma extensão bem maior de cabo, uma vez que sempre terá uma diferença de potencial elétrico entre esses dois pinos em relação ao "terra". Por isso, é comum ter uma relação sinal/ruído muito melhor com esse tipo de cabo do que com cabos de conectores P10 ou P2.
AVISO: Microfones baratos chineses "para karaokê", costumam ter a bobina conectada aos pinos 1 e 2 ou 1 e 3 ao invés dos pinos 2 e 3, que é o correto para microfones dinâmicos. Conecta-los diretamente a um mixer com phantom power ligado, pode queima-los ou em casos extremos, queimar a entrada do mixer.

As conexões corretas dos conectores XLR.
Certos microfones, têm um transformador interno para casar a impedância do conjunto captador ou cápsula, com a saída, ou com o nível de sinal que se deseja captar.
Uma boa dica é: Cabos muito longos podem ter muita atenuação e menor relação sinal/ruído. De modo que quanto mais curtos, melhor.
Alguns microfones, especialmente os valvulados, requerem sua própria fonte de alimentação externa e é comum, usarem cabos especiais com conectores especiais, porém, a "caixinha" que contém essa fonte (e por vezes, também um seletor de diagrama polar), certamente tem um conector XLR para conecta-lo à mesa, gravador, etc.
Acessórios
Pop filter
É um acessório que consiste em um anel com uma ou duas camadas de tecido fino esticado nele. Uma versão alternativa, mas pouco comum, consiste em uma fina camada de espuma presa a uma moldura aramada.
A função dos pop filters é evitar "sopros de ar" diretos no microfone como as palavras que tenham as letras ou ainda "F" e "V" ou minimizando "estouros" com palavras que contenham "P" ou "T". Mas também pode suavizar sibilâncias com palavras contendo "S", ou mesmo atenuar dinâmica.
Caso se pretenda cantar muito perto de um microfone condensador ou de fita, seu uso é MANDATÓRIO para evitar saliva, que pode afetar o revestimento do diafragma do microfone condensador bem como cancelamentos por sobrecarga, ou no caso dos microfones de fita, rompimento da mesma por choque de ar muito extremo.
Os primeiros, improvisados, geralmente consistiam num arame com um pedaço de meia de nylon esticado.
Michael Jackson com um pop filter improvisado com arame e meia-calça em 1985.
Há controvérsias sobre as orígens do pop filter, porém, a idéia de se usar meias de nylon para proteger microfones, não é novidade pelo menos desde o famoso "Rooftop Concert" dos Beatles, em 30 de janeiro de 1969, em que como estava muito frio e úmido, o engenheiro de som Alan Parsons, comprou algumas meias femininas de nylon numa loja Marks & Spencer e protegeu a maioria dos microfone com elas, usando fita adesiva para prende-las.

Um pop filter moderno, na frente de um microfone condensador de estúdio.
É comum, testar "pops" usando frases cheias de "P"s e "T's, como...
"Peter Packer picked a pack of peppers to put on a toasted pepperoni pizza."
Pop screen
Similar ao pop filter, inclusive com as mesmas funções, consiste numa tela rígida, geralmente metálica, com furos especiais que desviam o ar de modo difuso.

Um típico pop screen.
Windscreen ou Anti-poof
Não passa de uma espuma para encaixar no microfone, para fazer as vezes do pop filter ou do pop screen. Particularmente interessante o seu uso em microfones expostos ao ar livre por proteger o microfone de ar úmido ou de ventos que possam atrapalhar a captação.
Existe uma versão com pelos longos, especificamente para evitar ventos, muito usada em produções de TV e cinema.

Duas variações de windscreens.
Shockmount
Alguns microfones condensadores já vêm com esse acessório, como o MXL-770 enquanto outros bem mais caros, às vezes vêm apenas com o simples "hardmount" básico (como o Sennheiser MK4 ou o seu "primo rico mais velho", o Neumann TLM-103).
Essa "inversão" aparentemente ilógica contribui para uma longa controvérsia sobre esse acessório, às vezes apelidado de "aranha"... Uns dizem que não serve para nada (porque microfones caros às vezes vêm sem ele) enquanto outros afirmam que ele "reduz ruídos" e outros ainda, compram o acessório porque... "impressiona".
Existem muitos tipos de "shockmount", bem como soluções que fazem o mesmo efeito. Por exemplo... Muitos microfones, principalmente os de mão mais "high-end", como os Shure SM-58 já têm um "shockmount" embutido. Nesses casos, eu até concordo com esses caras e penso que aqueles shockmounts para esse tipo de microfone são gasto de dinheiro à toa.
Porém, o fato é que esse acessório foi feito para minimizar vibrações que possam ser transferidas ao microfone através do pedestal.
Em estúdios próximos de vias movimentadas, por melhor que seja o tratamento acústico da sala, às vezes o chão pode transferir alguma vibração que pode ser captado por algum microfone ultra-sensível como um Neumann TLM-103, gerando um "ruído" indesejável em algum solo instrumental, por exemplo.
Algum artista que marca o ritmo batendo o pé no chão, também pode gerar esse tipo de ruído em salas não preparadas. (Aliás, é por essas e outras que é recomendável o uso de um tapete sob o artista e o pedestal do microfone.)
Na prática, o acessório pode até salvar um take, em caso de algum mero toque acidental no pedestal durante uma gravação. (E sim, já aconteceu comigo. Aliás, acontece com todo mundo. Já ví acontecer até com o Freddie Mercury!)

Um shockmount externo Neumann EA87. Certamente o shockmount mais copiado pelos piratas de plantão.
Microfones de destaque e suas histórias
Alguns microfones se tornaram referências absolutas. De modo que em qualquer discussão sobre microfones, conhece-los de antemão é certamente uma boa idéia.
Resolví separa-los aqui, por marca e contar um pouco da história deles.
RCA
A Radio Corporation of America, foi uma das empresas que mais revolucionaram o mundo do áudio nos anos 40. Os microfones Type 44 e Type 77 já foram inclusive citados no texto aí acima, então acho que nem preciso apresentar a marca.

Vale a pena mostrar esses dois de novo. São dois ícones, né?
Shure
A Shure Brothers certamente foi uma das empresas de maior influência no mundo dos microfones e é outra que já foi citada no texto aí acima...
Model 55 "Unidyne" - Certamente a linha de microfones dinâmicos mais icônicos da marca, evoluiu para a linha Model 55S ("S de "small", ou "pequeno" por ser uma versão mais compacta) e incontáveis variantes, bem como clones e imitações de várias marcas e procedências.
Hoje, a versão original (a "gorda") é conhecida como "Fat Boy".

Um dos primeiros Shure 55S, ainda sem o cabo com chave como é hoje.
A marca "Unidyne" é uma referência ao fato de ser um microfone unidirecional do tipo dinâmico. Essa linha de microfones é frequentemente associada ao cantor Elvis Presley e ganharam o apelido de "Elvis".
Existe um webinar de pouco mais de 1h sobre a história dessa linha de microfones.
Aos curiosos, vale a pena assistir. Pois da cápsula desse cara, vieram quase todos os modernos microfones da marca.
O comportamento sonoro desses microfones tipo Unidyne, reforça bastante os tons médios da voz, uma vez que o primeiro Unidyne foi projetado para estúdios de rádio (broadcast de notícias ou locução), não exatamente para voz, apesar de os artistas do mundo todo serem apaixonados por eles, em especial, cantores de jazz que querem dar um tom "1940" em sua interpretação. (Eu mesmo, tenho um "clone"... um lindo e rarissimo Lamericano Super 47.)
Foi o microfone padrão utilizado nos concertos de WoodsTock (1968) e Rock In Rio (1985), bem como o microfone predileto do cantor Freddie Mercury, que o usou no famoso concerto Live Aid.

A versão original do Shure 565SD "Unisphere I". O globo original era cromado, sem a ranhura equatorial e um furo do cabo que antes era redondo, hoje é uma ranhura mais na extremidade.
Esse microfone foi o precursor direto de outros dois microfones modernos estupidamente populares da marca: O SM-58 e o Beta 58. Ambos, praticamente "padrão" em todos os palcos do mundo, assim como o SM-57, que não tem a grade em forma de globo.
O comportamento sonoro do 656SD, é bastante voltado para voz "broadcast", bem "pobre" de graves, mas soa bem neutro. O SM-58 já pega mais graves assim como o Beta 58, que é levemente mais sensível.
Shure SM57 e Shure SM-58... Você com certeza já viu esses dois.
SM-7 - Microfone dinâmico bastante versátil, com cápsula Unidyne 3 e shockmount interno, foi introduzido no mercado em 1976 e ficou muito conhecido por ter sido o principal microfone usado na gravação de "Thriller" de Michael Jackson.
A principal diferença dos SM-58, SM-58 e Beta 58 (além da aparência física), é que ele é otimizado para ter uma largura de espectro bem maior e mais "plana", competindo com os microfones condensadores.
Em condições normais de uso, a grade da cápsula é protegida por uma espuma anti-poof que o fabricante atualmente envia duas de formatos diferentes com o microfone. A versão atual, SM-7B, praticamente não tem diferença do original e é estupidamente popular entre os youtubers (apesar do preço - definitivamente, não é um microfone barato).

Um Shure SM-7B... É... Você já viu ele antes também.
Neumann
Tradicional empresa de Berlin, fundada em 1928, a Georg Neumann GmbH, é de longe, a marca mais respeitada em microfones condensadores de estúdio, a empresa foi comprada pela também tradicional Sennheiser electronic GmbH & Co. KG em 1991, que optou por conservar a marca.
Uma curiosidade sobre o logotipo da Neumann em seus microfones: Quando o fundo é preto, o microfone é valvulado. Quando é roxo, é transistorizado (FET - Field Effect Transistor) e quando é vermelho, é FET sem transformador.
Todos os microfones Neumann são feitos à mão, em Berlin e testados nos laboratórios da Sennheiser em Wedemark, Alemanha. Cuidado com as imitações e falsificações!
CMV-3 - Apelidado também de "Garrafa de Neumann", foi primeiro microfone condensador comercial de que se tem notícia, amplamente utilizado desde o seu lançamento em 1928 sob a marca Telefunken. Ele podia ter a "cabeça" contendo a cápsula, facilmente trocada ou "esticada" com um extensor ou "pescoço".
Infelizmente esse microfone acabou sendo amplamente usado pelos nazistas. Péssima imagem de marketing.

Neumann CMV-3 com extensor "pescoço" e fonte de alimentação.
U47 - Lançado em 1949 (até para tentar apagar a relação da marca com os nazistas) esse, para muitos, é o "Santo Graal" dos microfones condensadores valvulados para vocal, desde que Frank Sinatra disse que esse era seu microfone favorito, (mas que na verdade era uma variação especial, o U48, cuja única diferença é que ele oferece a configuração de diagrama polar "figura 8" ao invés de "omni", além de "cardióide", disponível nos dois modelos). Muitos vinham com o logotipo da Telefunken, que era a distribuidora da Neumann nos EUA e fabricante da válvula VF-14 dentro dele.
Esse microfone foi o primeiro a captar agudos até antes "impossíveis" e consolidou o estilo "crooner" (iniciado com os microfones de fita) em que o vocal virou o "rei" dos instrumentos na música. Estilo lançado pelos "ribbon microphones", mas que até então ainda tinham um som "abafado" comparado a esse carinha aqui. O álbum "Abbey Road" dos Beatles foi inteiro gravado com esse cara.
Resumindo: Esse microfone é muito provavelmente o mais badalado do mundo, mesmo não sendo tão tecnicamente perfeito quanto alguns de seus descendentes.
Um desses hoje, vintage legítimo, circula por cerca de US$25 mil.
O lendário Neumann U47 com sua fonte externa.
Como nessa época começou a revolução do Rock & Roll, o U47 distorcia as vozes cantadas muito alto. Então em 1960 veio o U67. Certamente o "microfone do rock". Mas ainda havia um problema: A distorção das válvulas. Então em 1967, saiu o U87, usando FET (Field Effect Transistor) no lugar da válvula. (Ironicamente, hoje, as pessoas adoram a distorção das válvulas e o microfones valvulados imitando o U47 estão em alta.)
Aqui, neste link, mostra como esse microfone é fabricado.

Neumann U87. O topo de linha da marca.
TLM-103 - Uma versão de "baixo custo" do U87. Com apenas uma cápsula (logo, a captação é cardióide) e sem transformador (logo, mais compacto), virou referência de microfone cardióide para home studio. E nesse nicho, se tornou o microfone mais desejado pelos vocalistas do mundo inteiro. Uma versão similar, porém ainda mais compacta e acessível, o TLM-102, já não tem a mesma linearidade de som, apresentando uma captação bem mais aguda.

Neumann TLM-103 - O sonho dos vocalistas de home studio.
Sennheiser
Fundada em 1945 e dona da Georg Neumann GmbH desde 1991, a Sennheiser electronic GmbH & Co. KG é famosa por ser dona do maior e mais sofisticado laboratório de acústica do mundo e ter uma linha de produtos gigantesca para todo tipo de necessidade envolvendo audio e é indiscutivelmente uma das marcas mais respeitadas do mundo nessa área.
Todos os microfones Sennheiser são fabricados em Wedemark, Alemanha. Cuidado com as falsificações vindas da China! Embora algumas sejam muito boas e enganam muito bem, não são referência.
MD-421 - Projetado para ser extremamente versátil, este microfone dinâmico tem ajuste de impedância para poder literalmente captar tudo com altíssimo grau de fidelidade de som, é certamente um dos microfones mais tradicionais da marca, sendo produzido desde 1960 e considerado um dos padrões da Indústria.

Um moderno Sennheiser MD-421-II.
MD-441 - Que tal um microfone dinâmico de estúdio que custa uma média de US$400?
Esse, com certeza é o microfone mais tradicional da Sennheiser e é produzido desde 1956. Assim como MD-421, também tem ajuste de impedância.
Entre os artistas notáveis que o usaram encontram-se Stevie Nicks, Frank Zappa e David Bowie. Acho que nem preciso falar mais dele.
O Sennheiser MD-441. Um clássico de respeito.
MD-409, e609, e906 - Na prática, são variações do mesmo microfone dinâmico.
Se você é fã do Pink Floyd e já viu "Live At Pompeii" vertamente viu o Richard Right e o David Gilmour cantando "Echoes" numa variação de 1972 desses microfones.
Sennheiser MD-409
MKH-800 - Não foi o primeiro microfone condensador de estúdio de destaque da Sennheiser, que é respeitadíssima quanto a seus microfones dinâmicos.
Ele foi lançado em 2000, substituindo seu primeiro microfone condensador multi-pattern MKH-80, lançado em 1993.
Mas apesar das excelentes características técnicas (e design que é impossível de não lembrar do AKG C-12), as duas variações deste microfone (Multipattern e Twin), não parecem ter agradado tanto quanto esperado.
Imagino que seja porque, diferente do AKG C-12, que tinha todos os ajustes numa caixa externa, esse, tinha tudo no próprio corpo do microfone, assustando potenciais compradores temerosos de manutenção complicada.
A versão "Twin" parecia mais simples, mas o estigma, já estava plantado.

Sennheiser MKH-800 Multipattern - Muita coisa num aparelho só.
Então, usando o know-how adquirido da Neumann, a Sennheiser então lançou dois novos microfones condensadores com design completamente diferente: o MK4 (cardióide de uma cápsula só) e o MK8 (com duas cápsulas, permitindo a escolha entre vários diagramas polares de captação). De frente, é praticamente idêntico ao MK4, exceto pela ausência da marca indicando o diagrama polar cardióide. Mas atrás, tem várias opções de ajuste.
Sennheiser MK4: Pra mim, o melhor microfone do mundo para vocal solo. (Tanto que comprei um aqui pro meu estúdio.)
Aliás, o motivo desse ouro em cápsulas de microfones condensadores de alta qualidade, não é estético. É que esse material não oxida.

AKG
A austríaca AKG Acoustics faz parte do grupo Harman.
Seu microfone mais cobiçado (e certamente um dos mais caros do mundo), foi o lendário C-12 valvulado, amplamente utilizado naquela noite em que foi gravado "We Are The World". Mas só os mais antigos, com cápsula CK12 com diafragmas em ouro, uma vez que nas versões mais novas, eles baratearam os custos da cápsula com outro material até descontinuarem o modelo.
Eles fabricam também uma série de microfones condensadores altamente versáteis e compactos já com shockmount interno, como o C-414, C-314 e C-214. Todos muito parecidos em formato, mas bem diferentes em recursos.
A linha "entry-level" moderna deles, formada pelo P120 e P220 (com diafragma largo), são bastante populares, mas... feitos na China.
Telefunken
A Telefunken Elektroakustik, é uma empresa estadunidense que adquiriu os direitos de uso da marca e do logotipo da famosa corporação alemã.
Todos os microfones deles são feitos nos EUA, exceto os anteriores a 2000, que eram Neumann com a marca Telefunken.
Essa marca prima pela qualidade impecável, alto luxo e preços... naturalmente altos.
Particularmente famosa pelos microfones valvulados, eles têm também uma linha de microfones que são "re-encarnações modernas" de alguns dos microfones clássicos já citados aqui, como o Neumann U47 e AKG C-12, porém mais em conta que as versões já descontinuadas pelos fabricantes originais.

Telefunken Cu29 "Copperhead": Famoso, lindo e caro.
Electro-Voice
Fundada em junho de 1930 (e às vezes grafada como "ElectroVoice", sem o hífen, hoje a Electro-Voice (Agora com hífen) pertence à Bosch Security Systems, Inc., tem seus projetos feitos pela Telex Communications, Inc. e é parte da corporação Robert Bosch GmbH.
Apesar dessa "crise de identidade¨, continua fabricando microfones dinämicos de qualidade excepcional, com quase lendária resistência física... embora a Bosch não pareça ligar para o marketing dessa linha de produtos deles. Uma pena.
EV-676 - O microfone predileto
do Jim Morrison (que usava a variante EV-676G - No caso, "G" de "gold",
porque o dele era dourado), trata-se de um microfone dinâmico bastante
compacto e resistente com ajuste de impedância.
Me pergunto se o design dele não inspirou os "sabres de luz" da franquia "Star Wars". 😂
Um Electro-Voice EV-676, o "queridinho" do Jim Morrison.
EV-635
- Originalmente projetado para entrevistas em campo, acabou virando
padrão em emissoras de televisão, sendo um dos microfones mais usados
pelos artistas dos anos 60 e 70 em programas de TV como famoso "Soul Train", antes da Shure roubar a cena com seus "Unisphere".
Muita gente famosa usou esse microfonenessa época. Entre eles, Elvis Presley, Jacksons 5, Billy Paul, The Ronettes, só para citar alguns.
Eu diria que sua "encarnação" moderna, se encontra nas variações do RE50.

EV 635 - Quase todo mundo que cantou na televisão nos anos 60 e 70 em algum momento, usou esse microfone.
RE20
- Outro queridinho dos youtubers e competidor direto do SM-7, sendo até
mais resistente que ele por não precisar de uma espuma para proteger a
cápsula, nem fica com um cabinho exposto entre o conector e o corpo do
microfone.
Ele é disponibilizado pelo fabricantes em em 4
variações diferentes, todas com a tecnologia "Variable-D" que visa
minimizar o efeito de proximidade.

Um Electro-Voice RE20 - Você com certeza já viu alguma variação desse cara.
Cobalt Co9
- Competidor direto do Shure Beta 58 apesar do preço de um microfone
dinâmico profissional "entry-level" (porém vendido com "Premium Voice
Mic"), esse microfone preto-azulado eu diria até que é mais confortável
de empunhar do que o Beta 58, o som é incrivelmente parecido e por isso
mesmo, além da robustez típica de todo Electro-Voice, tem chamado
bastante atenção, embora seja um modelo bastante novo.
O único ponto contra, é que apesar de ser projeto americano, de uma corporação alemã, ele é fabricado na China. Assim, muita gente acaba escolhendo os Shure pela fama de ser estadunidense, só que... os Shure mais recentes também são feitos na China.

Electro-Voice Cobalt Co9 - Um novo clássico vindo aí.
MXL
A Marshall Electronics USA (não confundir com a Marshall Group),
fabricante dos famosos cabos Mogami (não a outra Marshall, que faz amplificadores para guitarra), tem uma infinidade de excelentes modelos de
microfones de todo tipo (condensadores, ribbon, etc.) para todo gosto, todos com preços extremamente competitivos e
são todos feitos nos EUA.
O MXL 990 por exemplo, certamente é o seu modelo condensador mais popular. Trata-se de um "default" de baixo custo para estúdios de garagem.
Seu "primo chique", o MXL 770
(já mostrado lá em cima) é, segundo o fabricante, o "queridinho" dos
rappers, mas assim como o MXL 990, tem um diafragma de apenas 1,2cm de diâmetro, que
particularmente acho um tanto "ressonante" demais, porém, me parece que ele puxa menos agudos que o 990.
Ambos, são bons para vocal, em especial, podcasts, mas me parecem mais indicados para captação de instrumentos de corda, embora a MXL comercialize kits de 2 microfones voltados especificamente para voz e violão, como o kit MXL 550/551.
O MXL-990: Para muitos, uma alternativa acessível ao Neumann TLM-102.
De design um tanto... "estravagante", o V67G é um dos modelos mais procurados da marca por ter um excelente diafragma largo. Felizmente, depois, resolveram fazer esse microfone com com outras variações de cores mais discretas. (Convenhamos... Esse verde com dourado fica parecendo um "carro alegórico" em qualquer estúdio.)
A MXL também tem microfones condensadores valvulados como o MXL Genesis e o MXL V69 Mogami Edition (que dizem ser muito bons), e até um modelo de fita bonitão, o MXL R-77 (claramente um dos muitos "clones" do clássico RCA Type 77).

MXL R-77: Cara... Gravar jazz nessa jóia aqui deve ser uma delícia!
Rde
A Rde originalmente Freedman Electronics, foi fundada em 1967 e tem uma das mais sofisticadas fábricas de microfones do mundo, em Sydney, Australia, Terra da Olivia Newton John, AC/DC, John Farnham... onde todos os seus microfones são produzidos, com um controle de qualidade e acabamento excepcionais. (Por exemplo, eles não são pintados. São revestidos com uma pintura de cerâmica eletrostática ultra resistente.)
O fabricante escreve assim mesmo. O " apesar de o mundo inteiro pronunciar "Rode").
Mas apesar de sua fundação em 1967, só à partir dos anos 1990 eles começaram a produzir microfones, logo após uma situação financeira complicada e importar alguns microfones condensadores de diafragma largo da China e modifica-los para vender.
Seu microfone condensador de estúdio mais conhecido hoje, é o NT1, atualmente modernizado para NT1A, que diga-se de passagem, não parece dever em nada para um bom Neumann 12x mais caro (embora eu ache a "grelha" pequena demais para a cápsula dele, o que pode complicar certos "truques" de estúdio).
Eles também são bem famosos pelos microfones para câmeras de vídeo profissionais, como a série VideoMic.
Ainda falta falar da:
- Warm Audio (e seus famosos microfones condensadores valvulados.)
- Audio Technica (e seus microfones condensadores de baixo custo fabricados na China.)
- Beyerdynamic (e o microfone predileto do Phil Collins, o M88)
- Soyuz (os "Neumann" russos, feitos à mão.)
- Oktava (outro tradicional fabricante russo desde 1927.)
- LeSon (o fabricante brasileiro mais conhecido.)
Vai por mim... Se fôr dar detalhes de todos os microfones do mundo, esse artigo não terá mais fim.








Comentários
Postar um comentário